As métricas das publicações cientificas e o dano causado a produtividade científica

Motivação
Recentemente vi em uma rede social uma publicação sobre os problemas de revistas de taxonomia e sistemática, quando as métricas criadas pelos Publisher internacionais, que na minha opinião, acaba por forçar os pesquisadores a publicarem em suas revistas, uma vez que o grande objetivo destes é tão somente o lucro.

Fatos e Fonte Geradora
A discussão saudável e produtiva iniciou, quando um amigo e entomólogo ou entomologista, postou um link (https://www.academia.edu/6545727/Impact_factors_arent_relevant_to_taxonomy) seguido do seguinte parto do texto “as famosas “métricas” (fator de impacto, Qualis, etc.) são danosas para os estudos de taxonomia e para o conhecimento da biodiversidade”. O texto disponível no site Academic.edu, sob o título “Impact factors aren´t relevant to taxonomy” e publicado originalmente na Nature Nature 405, 507-508 (1 June 2000) (há cerca de 16 anos), já revelava como danosas são as métricas para o conhecimento da biodiversidade do planeta. Mesmo com a criação da Zootaxa, que também foi abordada na discussão, ainda temos um déficit.
Resultados
Vejo com muita preocupação Journals Ranked by Impact: Entomology de 2010 publicado pela Thomson Reuters, que mostra claramente a queda vertiginosa do fator de impacto das principais revistas de 1981 a 2009, como pode ser visto em http://archive.sciencewatch.com/dr/sci/10/jul18-10_1. Para se ter uma ideia o Annual Review of Entomology caiu de 84,11 para 11,27, uma queda de cerca de 86% do seu índice.
Passados estes anos verifica-se uma corrida desenfreada por parte dos pesquisadores para publicar em revistas como melhor Impact Factor melhor Qualis. Entretanto, estas revistas estão hoje em boa parte nas mãos de Publishers internacionais e os valores para publicar um artigo ou nota científica, fica longe da capacidade dos pesquisadores absorverem, pois no Brasil e em outros países o custo sai da remuneração, muita aquém do que deveria, dos pesquisadores. Aliás, seus projetos de pesquisa também.
O que muitos têm feito, e já há algum tempo, é buscar parcerias para aumentar sua produtividade, o que denota sob o aspecto ético, em coautoria espúria. E isso é para mim, o início do fim, de um uma pesquisa mais séria. Não estou aqui falando dos trabalhos desenvolvidos em conjunto por laboratórios, instituições e ou pesquisadores, pois eu faço e consigo bons resultados, seja com a possibilidade de tornar público uma pesquisa que leva alguns meses ou anos para ser realizada.
Opinião
Na discussão original publiquei minha opinião sobre o post , sobre o texto da Nature e obviamente sobre as métricas, que somos submetidos a cada dia.
Sou editor chefe de um periódico científico tenho sim a preocupação com estes índices malucos, mas sinceramente, acredito que a ciência deva ser feita para a população e não somente para a academia ou iniciativa privada. Tenho certeza que muitos bons trabalhos são rejeitados, por serem diferentes ou por não atenderem a critérios impostos por grandes Publishers, que acabam por usar o JCR ou H-Index dentre outros, como atrativo para a publicação em seus periódicos. Quem não quer ver seu artigo sendo lido e citado, mundo afora? Vejam que antigamente os periódicos estavam nas mãos da academia e hoje estão nas mãos da iniciativa privada. Nosso periódico o EntomoBrasilis, foi e enquanto eu estiver a frente dele, será de todos, Open Access e se “cobramos” dos autores é para manter ele assim, LIVRE, sem compromissos como grande corporações ou patrocinadores, pois acredito que nosso periódico é feito de pessoas e para as pessoas, não de títulos, prêmios e índices. Acredito no livre compromisso de todos os colaboradores. Bonificamo-os com gratuidades e descontos na publicação. Premiamos sem criar competitividade os mais produtivos. Assim deve ser a ciência acadêmica, ninguém deveria ganhar dinheiro com ela, pois ela é, ou pelo menos deveria ser, financiada pelos impostos pagos pelo povo, pessoas comuns que sequer sabem o que é um periódico científico ou para que servem ou por que existem ou como a ciência publicada pode influenciar em suas vidas. O termo publicar significa tornar que “é de alguém” em ALGO PARA TODOS.”
Compartilhei a publicação na fanpage da EntomoBrasilis, onde estou Editor-Chefe, conforme transcrevo abaixo.
Tenho estimulado a publicação de distribuição na EntomoBrasilis e estes são invariavelmente indexados no ZooBank. O conhecimento da biodiversidade brasileira é pífia e quando se trata de insetos, nem se fala. Basta olhar o AntWeb. O Paraguai aparece por lá, mas os mirmecólogos brasileiros, não têm contribuído ou não tem chance de contribuir para o conhecimento da nossa mirmecofauna, apenas exemplificando, e olha que temos grandes pesquisadores na área, mas as revistas tendem a não publicar este tipo de artigo, excetos algumas.
Publicado originalmente no site WCRodrigues em  10/2/2015
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